Familiares de vítimas da Operação Contenção fizeram um ato na Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (28), um ano após a ação policial que deixou 122 mortos nos Complexos da Penha e do Alemão. Em 40 anos, foi a operação mais letal já registrada no estado.

Em nome das famílias, a confeiteira Tauã Brito, mãe de Wellington Brito, de 20 anos, cobrou o resultado das investigações sobre as mortes. “Não existe uma lei para quem mora em um condomínio da Barra da Tijuca e outra para quem mora na favela”, afirmou. Ela contou que tentou negociar a rendição do filho e pediu para entrar na área de mata onde ocorreram as execuções, mas não foi autorizada. De madrugada, voltou ao local e encontrou o corpo dele.

Tauã comparou o caso à apreensão de 240 armas em um condomínio da Barra da Tijuca, em maio de 2025, quando sete pessoas foram presas e ninguém ficou ferido. “Eu estou dizendo que qualquer pessoa que cometa um crime precisa responder perante a lei. Mas responder perante a lei é diferente de ser executado”, disse. As mães também criticaram o uso político das mortes e relataram que, passado um ano, não tiveram acesso aos laudos de perícia nem aos depoimentos colhidos pelos investigadores.

No mesmo dia, a organização Human Rights Watch divulgou nota apontando evidências graves de desvio de conduta policial. Segundo a entidade, houve manipulação de câmeras corporais e as características das mortes sugerem execuções intencionais: 40% das vítimas foram atingidas na cabeça, 60% levaram quatro tiros ou mais e 75% foram baleadas também nas costas. A organização ressaltou ainda que nenhuma das mortes foi filmada pelos agentes.

Tauã questionou a atuação do Ministério Público estadual na investigação, por entender que o órgão participou do planejamento da operação. O MPRJ acompanhou as necropsias feitas pelo Instituto Médico-Legal e ainda analisa laudos periciais e imagens das câmeras corporais usadas pelos policiais.

Outras mães também cobraram respostas. Maria Edvalda Cândida de Souza, mãe de Cleiton Cesar, de 32 anos, pediu justiça pelo filho. Ana Paula Muniz, mãe de Diego dos Santos, de 30 anos, disse aguardar um laudo que esclareça a morte. Jovens ativistas pediram que o poder público fortaleça serviços e projetos sociais na comunidade, e o ato teve apresentações de crianças e jovens, roda de capoeira e poesia.

Com informações de Agência Brasil.

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