Uma pesquisa do Instituto Idea, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), revelou que quase 30% dos brasileiros não aderem plenamente às campanhas de vacinação. Segundo o levantamento, 9,9% afirmaram que não se vacinam e 9,2% abandonaram a imunização durante a pandemia de covid-19. A menor adesão aparece entre jovens de 16 a 34 anos e moradores da região Norte. Especialistas alertam que a desinformação e a baixa percepção de risco contribuem para a queda da cobertura vacinal, o que pode comprometer o Programa Nacional de Imunizações. A recomendação é procurar uma unidade básica de saúde para atualizar a caderneta de vacinação.
Segundo uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Idea, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, 72,1% dos entrevistados disseram manter a vacinação em dia. Mas o estudo também revela sinais de afastamento dos imunizantes: 9,9% afirmaram que não se vacinam, 9,2% abandonaram a imunização durante a pandemia e 8,8% preferiram não responder. O coordenador da pesquisa e professor da Unifesp, Pedro Arantes, afirma que a redução da vacinação está ligada à desinformação e à menor percepção de risco. “Avaliamos que foi consequência da pandemia e da desinformação que se gerou durante a pandemia a respeito da eficácia das vacinas. Nós tivemos uma política claramente orientada a desacreditar a ciência, as vacinas, a sua importância para a redução da pandemia e a população começou a ficar em dúvida.” A menor adesão aparece entre os jovens, na faixa etária de 16 a 24 anos: o índice de vacinação é de 62,9%. Já na faixa de 25 a 34 anos, o número é de 62%. Entre idosos com 60 anos ou mais, a adesão sobe para 78,3%. Pedro Arantes, explica que estes grupos precisam de uma maior atenção especial. “Esse grupo é um grupo que merece uma atenção especial das políticas de comunicação, de informação, pra reconquistar para o programa de vacinação brasileiro. Especialmente em relação a jovens e um público de menor escolaridade. São estratégias que precisam ser focalizadas nos espaços que frequentam, na linguagem mais acessível, na forma de conquistá-los, né? Pra retomar a vacinação.” Especialistas alertam que a queda na cobertura vacinal pode comprometer o Programa Nacional de Imunizações, considerado uma das principais políticas públicas de saúde do Brasil. A orientação é que a população procure a unidade básica de saúde mais próxima para verificar a caderneta de vacinação e atualizar as doses em atraso. As vacinas oferecidas pelo SUS são gratuitas e ajudam a prevenir doenças graves e já controladas no país.
Foto: Anna Tolipova/magnific.com



