O mês de julho marca as celebrações do Dia Internacional da Mulher Negra Afro-Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho. Em alusão à data, a Escola Municipal da Engomadeira promoveu, nesta sexta-feira (10), uma oficina gratuita de confecção de bonecas pretas voltada para mães de alunos e estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A iniciativa tem como objetivo fortalecer a identidade, a autoestima e a valorização da cultura afro-brasileira. Além disso, busca incentivar o empreendedorismo e criar uma oportunidade de geração de renda para as participantes. A ação também reforça o compromisso das escolas da Prefeitura de Salvador com uma educação antirracista e com a aplicação da Lei nº 10.639/2003, que estabelece o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas.
A vice-diretora do turno matutino da unidade, Edvalda Pereira, afirma que a oficina contribui para fortalecer a autoestima das crianças e da comunidade, além de estimular o empreendedorismo e a geração de renda. “Na minha época, eu não me via representada. Vocês, que são mais novas, já cresceram vendo bonecas negras, mas eu não tive isso”, destacou.
O primeiro momento da atividade contou com a participação, por videochamada, da artesã cearense Irene Silva, que vive exclusivamente da produção e venda de bonecas. Ela compartilhou sua trajetória, explicou como iniciou o trabalho e incentivou as participantes a empreender. Na sequência, a oficina foi ministrada pela professora Delamar Teixeira, que apresentou o passo a passo da confecção de um modelo de boneca.
A atividade reuniu mais de 30 participantes na escola. “Muitas crianças conseguem se ver representadas em bonecas negras, o que ajuda a fortalecer esse sentimento de pertencimento”, afirmou. Segundo ela, esse processo contribui para que elas se sintam mais valorizadas e reconheçam a importância da cultura afro-brasileira.
Representatividade – O bairro da Engomadeira é majoritariamente composto por pessoas negras e, para a coordenadora pedagógica Marilene Cajé de Araújo, a iniciativa fortalece a valorização da identidade negra entre estudantes e mães. “A beleza negra é riquíssima. Existem muitos estudantes que se sentem diminuídos por causa da cor da pele”, pontuou.
Mãe do estudante Maxwell Costa, do 1º ano, Mônica Costa destacou a importância da iniciativa e a oportunidade de aprender uma nova atividade. “A gente aprende brincando. Eu gostei muito quando fiquei sabendo da oficina, porque gosto dessas coisas de costura, me interesso e acho muito importante”, relatou.
Participando pela primeira vez de uma oficina de confecção de bonecas pretas, Regina Lúcia de Souza, de 58 anos, estudante da EJA, demonstrou entusiasmo com a iniciativa e destacou a importância de que outras escolas também promovam ações semelhantes: “A representatividade faz diferença na formação de todos”.
Foto: Otávio Santos/ Secom PMS



